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Conheça o talento dos artistas plásticos angolanos

Os artistas plásticos angolanos estão vivenciando uma fase de reconhecimento mundial. Vários têm marcado presença em exposições e eventos internacionais, como as Bienais de São Paulo, Joanesburgo e Veneza e outros ainda estão incluídos em Exposições do MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova Iorque.

Essa ascensão das artes plásticas angolanas para o mundo retrata uma jornada de crescimento e aperfeiçoamento, com a busca de uma identidade única, original às suas raízes e que, ao mesmo tempo, consiga contemplar o seu carácter de múltiplas influências, viagens e misturas.

Quer conhecer mais sobre os artistas plásticos angolanos? Continua a leitura.

As artes plásticas em Angola: dos primórdios aos dias actuais

As artes plásticas em Angola possuem uma forte ligação com a evolução histórica do país.

As artes plásticas em Angola estão intimamente ligadas com a evolução histórica do país e da nação, contando com várias influências que ajudaram a criar Angola.

Colonialismo

Durante o colonialismo português, vemos a arte com uma visão mais eurocêntrica – e a classificação da arte típica do país como “africana”, “primitiva” ou “étnica”, sendo papel do colonizador atribuir (ou não) um valor cultural a determinado objecto.

O colonizador ainda teve um papel mais amplo. Era ele que efetuava o mapeamento dos territórios, estabelecia as fronteiras, renomeava os lugares e as sociedades e controlava e demarcava as zonas de concentração das populações.

Isso reduzia a cultura a “folclore”, apagando hábitos e subjectividades e promovia uma assimilação forçada, simbolizando as artes dos povos angolanos como exóctico e usando-as para fins de propaganda colonial e imperial.

Apesar desse conservadorismo exacerbado no Estado Novo, alguns artistas evoluíram e outros apareceram, já naturais de Angola ou provindos da metrópole, e começaram a quebrar os modelos e questionar a representatividade da arte, acrescentando um discurso mais africanizado.

Entre esses podemos destacar Neves e Sousa, um artista que, embora nascido em Portugal, se considerava angolano, com trabalhos que recobrem variados aspectos etnográficos e da natureza angolana, como as figurações etnográficas das mulheres angolanas ou as representações de danças e grupos humanos.

Outro nome de destaque nesse período foi Cruzeiro Seixas, que exerceu uma profunda influência na evolução artística da pintura angolana ao iniciar um percurso de pintura surrealista, incorporando uma crítica subjacente ao panorama das artes plásticas coloniais.

Negritude e Pan-Africanismo

Como forma de resistência ao colonialismo, os movimentos de negritude e do pan-africanismo influenciaram fortemente a cultura produzida em Angola. Uma outra forma de resistência foi a procura pelas culturas e práticas ancestrais africanas, menosprezadas pelo colonialismo.

O Pan-Africanismo, nascido nas comunidades afrodescendentes das Antilhas e dos Estados Unidos, propunham o rejuvenescimento da identidade negra, pela busca das suas origens na África e a agregação de todas as sociedades negras, em uma espécie de irmandade.

É graças ao Pan-Africanismo que vários intelectuais passaram a actuar de forma mais intensa na independência dos estados africanos e assim nasceu um novo movimento chamado “negritude”.

Ele tinha como base contrapor a imagem do negro como participante activo da história e da sociedade contra a imagem colonial que o tornava passivo, inerte e objecto sem subjectividade.

A negritude teve, portanto, um efeito decisivo no pensamento artístico dos africanos. Assim, algumas características passaram a estar presentes na identidade colectiva africana como o ritmo, a emoção, a assimetria e a espontaneidade.

Apesar disso, durante o período de guerra colonial, a censura em Angola se tornou muito presente, impedindo que uma arte genuína se propagasse. Mas, é nesse mesmo período que, de forma velada, começam a surgir os questionamentos sobre a angolanidade – tanto na literatura como nas artes plásticas.

Angola Independente

Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola após a Revolução Portuguesa, se preocupa ainda mais com a formação da angolanidade e para isso cria estruturas culturais que visam promover os criadores e a desenvolver a cultura no país.

Assim, nasce uma arte comprometida com a realidade de um país milenar composto por muitas nações e culturas, com um passado colonial de grande duração e que busca uma integração e afirmação africana e mundial em uma pós-modernidade complexa e globalizada.

Os principais artistas plásticos angolanos

Conheça os principais artistas plásticos angolanos que tiveram grande importância na construção da arte nacional.

Durante toda essa história, diversos artistas plásticos angolanos tiveram uma grande importância na construção da arte nacional. Abaixo listamos alguns dos mais actuais e que têm ganhado destaque nacional e internacional:

António Ole

É um dos mais prestigiados artistas plásticos angolanos. Ele nasceu em 1951, estudou cultura e cinema afro-americanos na Universidade da Califórnia e no Centro de Estudos Avançados de Cinema e Televisão, American FilmInstitute, em Los Angeles.

António Ole é um artista versátil, que se distingue pela qualidade da sua fotografia, dos seus documentários e das suas instalações multimídia em larga escala, por meio das quais explora texturas da vida em locais urbanos marginais.

Inspirado no passado e no presente de Angola, Ole aborda sobretudo as temáticas da colonização, da guerra civil, da fome, dos conflitos sociais e da explosão demográfica em Luanda.

Mestre Kapela

Paulo Kapela é autodidata e começou a pintar em 1960 na Escola Poto-Poto, em Brazzaville, República do Congo. Kapela trabalha em Luanda desde 1989 e possui grande magnitude artística.

Apesar de ter vivido grande parte da vida em condições adversas, desde 1995 tem participado de exposições internacionais, inclusive com obra presente na exposição itinerante “África Remix” e com participação em exposições em Londres, Paris e Tóquio.

Francisco Van-Dúnem

Ao longo de 40 anos de carreira, a angolanidade de Van-Dúnem, recorrente fonte de inspiração das suas obras, foi revisitada e reinventada.

Em seu processo criativo, o artista mergulha nas raízes profundas de Angola, sem deixar de assumir os contextos da sua época que reflete, interroga e questiona, chamando a atenção para as contradições e flagelos que marcam as realidades sociais e urbanas do mundo atual.

O artista nasceu em 1959 em Icolo e Bengo, Musseque Ia – localizado a 44 km de Luanda.

Pintor Kapuca

Ricardo Kapuca começou a demonstrar seus talentos em 1987, quando tinha apenas 11 anos, em uma pequena exposição na sede da TPA, na província de Benguela. A exposição foi comentada positivamente por Délio Baptista, antigo membro efectivo e delegado da UNAP (União Nacional dos Artistas Plásticos), em Benguela.

Embora seja autodidata, Kapuca frequentou o curso de Desenho de Animação em 2D na Neuroplanet em Lisboa e também teve formação em Artes Gráficas no Centro Profissional da Amadora, também em Portugal.

Fernando Alvim

Fernando Alvim é um dos artistas plásticos angolanos responsáveis por fazer uma relação intertextual da música e da pintura.

Fernando Alvim nasceu em 1963, em Luanda. Em 1987, ele recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, viajando para Bruxelas onde reside e trabalha até hoje. Apesar disso, mantém contacto regular com Luanda, onde desenvolveu projectos importantes, como a criação do grupo Sussuta Boé e o Camouflage – primeiro centro de arte contemporânea africana na Europa.

Alvim é um artista preocupado com as grandes questões sociais e políticas e se destaca  por ter levado o nome de Angola à Bienal de Veneza, com o projecto “Check-List – Luanda Pop”, com uma relação intertextual da música e da pintura.

Frank Lundangi

Lundangi nasceu em 1958 em Maquela do Zombo e é pintor, escultor, poeta e filósofo. Com apenas 3 anos, o artista deixou Angola fugindo da Guerra Civil e foi se refugiar no antigo Zaire. Vinte anos depois, ele retorna a Angola, onde, praticando futebol, ingressou na equipe nacional por 5 anos.

Sua carreira esportiva terminou logo após a sua chegada à França, por motivos de saúde. No país, Lundangi começou a desenvolver o seu lado artístico – que já era presente desde os tempos escolares.

Em 1990, Ludangi começou a desenhar e desde então participou de muitas exposições colectivas, sendo selecionado para o África Remix, a maior exposição de arte africana já apresentada na Europa.

O artista desenvolve uma arte atemporal e desprovida de qualquer referência ao presente, sem esquecê-lo completamente. Dessa posição desinibida, surgem possibilidades gráficas e plásticas fantásticas, como humanos em objectos fantasiados, entidades em um jardim original e outros elementos simbólicos da sociedade contemporânea retratados como em um sonho.

É desse universo polimórfico que nasce uma impressão de simbiose cósmica entre o homem e o universo, com a busca de harmonia entre o espírito, o homem e a natureza.

Edson Chagas

Entre os artistas plásticos angolanos, Edson Chagas é um fotógrafo de destaque.

Edson Chagas é fotógrafo, formado em fotojornalismo pela London College of Communication e com estudos em fotografia documental na Universidade de Gales, Newoport.

Desde 2015, o fotógrafo vive em Angola e trabalha como editor de imagens do jornal angolano Expansão.

Chagas representou Angola no primeiro pavilhão da Bienal de Veneza, em 2013. Sua exposição ganhou o prêmio principal da Bienal, o Leão de Ouro de melhor pavilhão nacional. As fotografias expostas vieram da série “Found Not Taken”, na qual o artista substituiu objectos abandonados em diversas cidades do mundo, incluindo Luanda.

O artista é o primeiro africano e também o primeiro em língua portuguesa a vencer o prêmio de melhor representação nacional.

Yonamine Miguel

O artista nasceu em Luanda, em 1975, e hoje vive e trabalha em Lisboa. Sua criação concentra-se em obras cosmopolitas e em uma linguagem que o próprio artista define como “musseke urban art” – referindo-se às zonas periféricas urbanas de Luanda.

A estética urbana de Yonamine utiliza técnicas variadas como serigrafia, colagem, pintura, fotografia, grafite, vídeo e instalação. O artista trabalha com imagens antigas de Angola, fotografias, periódicos antigos e outros que ajudam a destacar a identidade angolana.

Yonamine participou da Bienal de São Paulo em 2010 e também manteve uma exposição individual na galeria Soso, no centro de São Paulo.

Conclusão

Neste conteúdo, você aprendeu que as artes plásticas em Angola passaram por muitas influências – desde o colonialismo português até a busca pela angolanidade. Hoje, os artistas plásticos angolanos buscam retratar esse passado mesclado com as exigências e aflições do mundo moderno e globalizado.

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