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Tradição e memória: conheça os contos populares de Angola

A cultura angolana é muito rica e vasta, e também conta com diversos aspectos dos povos que ajudaram a formar a nação, como os Ovimbundos, Ambundos, Ovambos, Congos, Cokwés e, claro, os portugueses. E assim, todas essas tradições, são refletidas nos inúmeros contos populares de Angola.

Portanto, ter conhecimento sobre esses contos é uma forma de manter vivo o folclore, as tradições e a própria cultura angolana, passando-a de geração em geração e mantendo viva a ancestralidade dos nossos povos.

Quer saber mais sobre os contos populares de Angola? Continua a leitura!

O folclore e as lendas em Angola: importância e principais personagens

A contação de histórias é um modo de resistência do povo angolano. Isso porque, na época da colonização portuguesa, a cultura dos povos tradicionais fora desvalorizada e vista como algo “exóctico”, que não merecia respaldo ou cuidado. 

Entretanto, os contos populares angolanos vêm carregados de mitos, valores, religiosidade e ideias ligadas à produção, modos de vida, metodologias de ensino e modos de viver das sociedades antigas.

Sendo assim, a oralidade foi a ferramenta responsável por  transmitir os ensinamentos vivenciados pelos povos originários, como o contacto com a natureza, com os animais e com suas diversas crenças. 

Através dos contos populares de Angola as tradições culturais do país são repassadas de geração em geração.

Antigamente, esses momentos de aprendizagem eram comumente feitos em tornos de uma árvore, uma fogueira ou um Njango (lugar de sabedoria), já que não haviam escolas. 

E actualmente, com a continuação da transmissão sendo realizada de geração em geração, nossos povos mantiveram a manutenção da memória, atestando a cultura angolana nata, bem como as intervenções sofridas com a colonização portuguesa.

Diversos personagens e contos são bastantes famosos e conhecidos pela população angolana. Sendo assim, trouxemos aqui alguns exemplos e resumos sobre seus significados e histórias. Acompanhe! 

Kianda

Foto: Katimbafilms

A palavra “Kianda” vem do quimbundo e nomeia um monstro fabuloso da mitologia, uma espécie de deusa das águas ou uma sereia, como conhecemos.

Entretanto, Kianda é um personagem muito mais complexo, um ser sobrenatural que preside o império dos mares e dos rios, das montanhas e dos bosques, uma divindade doptada de poderes sobrenaturais que pode fazer tanto o bem como o mal, inspirar o medo e o perigo ou o amor.

No folclore angolano, cada curso de água, lagoa ou rio tem uma Kianda que toma o nome do lugar onde ela habita. Mas existe a Kianda, que é a rainha das rainhas, é a mais poderosa, a mais amada, a mais venerada e a mais temida de todas.

Kianda tem uma importância muito grande para o angolano em especial para os luandenses ou kaluandas. Tanto que, a cada ano, é celebrado um ritual em adoração à ela.

Em Luanda, a festa costuma ocorrer no início de Novembro, quando as pessoas trazem comida, fazem um banquete e dançam ao mesmo tempo. Depois, ocorre uma procissão e os participantes atiram comida ao mar, enquanto um batuque é tocado para satisfazer Kianda.

Jacaré Bangão

Os personagens dos contos populares de Angola são representações dos guerreiros históricos que lutaram pela resistência das nações culturais do país.

Outra figura clássica do folclore angolano é o Jacaré Bangão. Existem inúmeras versões sobre a história do personagem, mas a que a população mais aceita ocorreu na cidade de Caxito, na província do Bengo, quando certo Jacaré resolveu pagar o imposto ao chefe do posto, responsável por assegurar esta obrigação fiscal.

De acordo com a lenda, o chefe era uma pessoa implacável com os habitantes e, por isso, o Jacaré resolveu ele mesmo pagar o imposto, para evitar a impetuosidade do chefe.

Ao ver o grande réptil saindo das águas do rio Dande, o cobrador de impostos ficou aterrorizado e deixou de tratar a população com os maus modos de antigamente.

Existem outras lendas que afirmam que o jacaré, na verdade, era o velho Pacote Dya Ngongo que usou um feitiço para se transformar no réptil e modificar a acção dos trabalhadores daquele posto.

Em ambas as versões, vemos o uso de feitiços e de expressões da cultura local para explicar uma situação em que a população vivenciava – e mostrando que os animais e a magia servem como “arma” para proteger a população contra os adversários.

O Jacaré Bangão é tão importante que o Governo do Bengo ergueu um monumento histórico a ele, situado na antiga ponte entre Porto Quipiri e a antiga Açucareira para simbolizar a preservação da cultural local e a luta de resistência contra o regime colonial.

Foto: Angopop

Imbondeiro

Outra lenda angolana muito conhecida é do Imbondeiro (denominado também de baobá ou árvore garrafa), árvore símbolo de África e que é protegida por lei em muitos países (árvore que dá múcua). De acordo com uma lenda africana, o imbondeiro, por ter inveja das outras árvores foi castigado pelos deuses e posto de cabeça para baixo: a copa foi enterrada e as raízes ficaram para cima.

O Imbondeiro é uma árvore oriunda da floresta angolana do Mayombe e é considerada sagrada por muitas culturas, sendo, inclusive, um sacrilégio derrubar um Imbondeiro em Angola.

Outra lenda diz que caso um morto seja sepultado dentro da árvore, sua alma existirá enquanto a planta viver (curiosamente, essa árvore tem uma vida muito longa, entre 6 e 7 mil anos). 

Foto: Jornaldeangola

Alguns angolanos também creem que a árvore foi criada por Deus e plantada onde mais precisariam dela – afinal quase tudo é consumível no Imbondeiro, sendo muito importante nas regiões mais carentes para melhorar a nutrição dos moradores.

Os principais contos populares de Angola

Esses são apenas alguns dos personagens mais famosos dos contos populares de Angola. Afinal, o folclore do país é vasto e rico, com muitas lendas, mitos e histórias orais passadas de geração para geração. 

Para que você possa se familiarizar com o contexto das histórias, separamos resumos das principais lendas e contos populares de Angola.

Lenda da Kianda

Conta-se que a Kianda vivia perto da Praia do Bispo, em Luanda. Um dia, viu um homem pobre e triste que andava sozinho à beira-mar. Num acto de bondade ela ofereceu-lhe o acesso a um tesouro escondido que só ela conhecia. O homem enriqueceu logo e ao mesmo tempo que ele enriquecia tornou-se egoísta e ganancioso, só usava o dinheiro para o seu próprio interesse.

A Kianda, que ia observando o homem, ficou decepcionada com o que viu e decidiu dar-lhe uma lição, fazendo desaparecer o tesouro e deixando o pescador sem nada de um dia para o outro.

Por vezes, também dizem que a Kianda enfeitiçava o homem, retendo-o prisioneiro no fundo do mar para sempre. (Fonte: Xapuri).

O rei da floresta e o Príncipe do Fogo

Utilizando animais como personagens, os contos Angolanos proporcionam que façamos analogias com as estruturas sociais e culturais do país.

Esse conto nos fala sobre o Peru das Florestas, que fora proclamado como Príncipe do Fogo por sua mãe ao nascer, dizendo que seu bico lançava chamas rutilantes que tudo queimavam à sua volta. Além disso, o príncipe possuía grandes asas que permitiam-lhe voos soberbos entre as ilhas do Kwanza e chegava a voar desde o Dondo à Kissama, ida e volta.

Um dia, o Príncipe do Fogo voou desde Massangano até à Kissama e no fim da viagem estava tão cansado que adormeceu empoleirado no tronco carcomido, assim que perceberam, outros animais fugiram para longe com receio de que seu bico pudesse lançar chamas sobre o capim seco. 

O Leão, que estava de sentinela no alto dum morro, viu a bicharada fugindo desvairada. Quando ficou sabendo o que estava prestes a acontecer resolveu verificar de perto, afinal, há tempos sentia sua coroa estava ameaçada pela figura do Príncipe de fogo.

Sendo assim, curioso, aproximou-se do seu rival e pegou num capim seco, encostando-o ao bico e o capim não ardeu. Depois, encostou a pata ao bico do Peru das Florestas e também não se queimou! Assim, o Leão percebeu que o Peru das Florestas só era Príncipe do Fogo para a sua mãe, que valorizou desmedidamente a sua cria.

Para ler esse conto completo, acesse Jornal de Angola

A Rã Mainu

Essa é a história do filho de Kimanaueza, que quando chegou à idade de casar decidiu que só se casaria com a filha do senhor SOL e da senhora LUA. Mas para isso precisava encontrar uma maneira enviar seu pedido para o céu.

Diante disso, o rapaz escreveu uma carta e tentou encontrar animais que aceitassem leva-lá. Entretanto, todos recusaram pois diziam que o céu era impossível de se alcançar. 

O que não se esperava é que a Rã já tinha um plano, pois conhecia o poço onde o povo do Sol e da Lua costumava abastecer-se de água. Dessa forma, logo que lançaram o balde à água, a rã entrou disfarçadamente e viajou até ao céu sem ninguém saber. 

Quando chegou ao destino, deixou a carta no quarto do rei Sol e da senhora Lua, que se admiraram com a carta e aceitaram o pedido. E assim, graças a inteligência da rã, o rapaz pode se casar com a filha do senhor Sol e da senhora Lua.

Gostou da história? você também pode ver esse conto completo acessando o blog Textos Integrais.

Os livros que reúnem os contos populares de Angola

Embora a tradição seja oral, os contos populares de Angola estão eternizados em livros que ajudam a manter viva a memória angolana.

O mais conhecido, sem dúvida, é a colectânea de Contos Populares de Angola: Folclore Quimbundo, de José Viale Moutinho (2012), que reúne narrativas curtas selecionadas a partir da recolha feita por Hélio Chatelain, com a primeira publicação em edição bilíngue (quimbundo-inglês) em 1984, nos Estados Unidos.

Outro que merece destaque é Quilanduquilo, do escritor Óscar Ribas, lançado, pela primeira vez, em 1973. Ribas é um dos escritores mais conhecidos de Angola que tinha em seus temas a preocupação com a literatura oral, a filologia, a religião tradicional e a filosofia dos povos de língua kimbundu.

Misturando histórias portuguesas e angolanos, outro título interessante é o livro “Histórias Portuguesas e Angolanas para as crianças”, de Fernando Vale e com ilustrações de Dorindo Carvalho.

Conclusão

Como você viu, neste conteúdo, os contos populares de Angola são de suma importância para a cultura e a memória do país. Eles ajudam a explicar as situações quotidianas por meio da óptica dos povos antigos, mesclando a visão das várias sociedades que fundaram Angola com a cultura portuguesa.

Conhecer esses contos é extremamente importante para podermos manter viva a memória dos nossos povos antigos e dos modos de viver dessas populações, além de eles serem expressões da nossa cultura.

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angola cultura

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