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Conheça as principais danças tradicionais de Angola

A dança faz parte da cultura e da formação do povo angolano. São muitos os géneros, significados, formas e contextos das danças tradicionais. Mais do que a sua vertente recreativa, ela se torna um veículo de comunicação religiosa, curativa, ritual e até de intervenção social.

Justamente por tamanha importância, é essencial compreendermos melhor suas origens e valorizarmos essas tradições. Afinal, as danças tradicionais são uma das mais fortes expressões culturais do país, com coreografias energéticas inspiradas no folclore de cada região e com um significado social próprio, representando os costumes da comunidade.

Quer entender melhor quais são as danças tradicionais de Angola e por que elas são tão importantes cultural e socialmente para o país? Continua a leitura!

A importância da dança na cultura angolana

A preservação das danças tradicionais angolanas é essencial para a valorização da cultura dos povos originários. 

A dança, em Angola, não se restringe à classes sociais, culturas ou outras formas de segregação. Ela faz parte da nação como uma maneira de ser do angolano. Por isso, a presença da dança é constante no quotidiano da população e é produto de um contexto cultural aprendido desde cedo.

Tudo tem início com o contacto estreito da criança com os movimentos da mãe, por exemplo, quando é transportada nas costas, maneira tradicional angolana. E assim, é fortalecida por meio da participação dos jovens nas inúmeras celebrações sociais, nas quais a dança se torna um factor determinante de integração social e de preservação do sentimento de comunidade.

Em geral, as danças tradicionais são transmitidas de geração em geração. Mas nas zonas rurais a aprendizagem pode ser realizada em escolas de iniciação para meninos e meninas, preparando os jovens para a vida social e também espiritual.

Nesse espaço, vemos algumas danças típicas a serem aprendidas como o Akixe, ou bailarinos mascarados preparados pela Mukanda – escola tradicional de iniciação masculina entre o povo Cokwé. A dança típica também conta com outro artefato cultural bem conhecido: a máscara de dança, exclusividade dos homens e capaz de evocar espíritos de antepassados.

A dança se mistura com a religião em várias outras tradições angolanas. Como as coreografias dos rituais de xinguilamento em Luanda, quando bailarinos com máscaras femininas exaltam as qualidades e belezas das mulheres e outros com máscaras que misturam animais e humanos interpretam os movimentos dos animais da região.

A partir dos anos 80, as danças tradicionais passaram a ser revolucionadas, surgindo várias fusões entre os ritmos de músicas, nascendo o Semba, a Kizomba, o Semba-zouk, o Zouk love, a Tarrachinha, o Kuduro e muitas outras.

Apesar de a dança ser tão significativa para o povo e a cultura angolana, muitas tradicionais e folclóricas estão a se perder. Isso se deve especialmente ao êxodo dos jovens das aldeias para as cidades, fazendo com que haja um desaparecimento dos dançarinos, já que se torna mais difícil passar a tradição adiante.

A dança como ferramenta de inclusão social

Assim como outras manifestações culturais, a dança também é uma poderosa ferramenta de inclusão social. Um exemplo são as danças angolanas em ascensão pelo mundo, como o Semba e a Kizomba, que têm permitido a aproximação e o intercâmbio entre os povos de diversas culturas e etnias.

Além disso, por meio da dança, muitos jovens conseguem outras oportunidades e até encontram nesses projetos uma profissão ou uma maneira de se colocarem no mundo e como forma de representarem suas identidades.

As principais danças tradicionais em Angola

As danças tradicionais angolanas se diferenciam de acordo com a região de origem.

Como já deu para perceber, quando o assunto são as danças tradicionais em Angola, existem várias delas, sendo difícil mapear todas, já que, infelizmente, algumas estão sendo perdidas por falta de pessoas que se interessem em resguardá-las.

Em 2016, o departamento de artes e acção cultural da direcção provincial da Cultura tinha mapeado 31 grupos de danças tradicionais no país. Vamos ver algumas delas em detalhes.

Moxico

A região do Moxico é a que mais tem investido na preservação das danças tradicionais, com 63 grupos tradicionais e 23 modernos. Entre as danças mais tradicionais da região estão: macopo, mitingui e tchombe.

Região dos Luchazes

Nessa região, uma dança típica é o Mitingi ou a “dança dos ricos”. Ela se caracteriza por alternar movimentos sensuais com passos clássicos, de forma semelhante à dança italiana. Também inclui acenos de cabeça e sacudidelas de lenço, em uma harmonia cadenciada pelo ritmo do apito e do batuque.

Essa dança é originária do município do Dala, na região dos Luchazes, entre as províncias de Lunda-Sul e Moxico. Para dançá-la, os bailarinos se vestem com camisas brancas, meias, luvas e lenço de bolso que ostentam na mão. Ainda usam gravata, casaco, óculos e chapéu.

Cabinda

Outra região que tem um forte apelo com as danças tradicionais é Cabinda. O levantamento do departamento de cultura mostrou que existem 68 grupos de danças e 14 variantes de gêneros registrados.

Contudo, a grande maioria está em vias de desaparecer, como a dança dos Bakama do Tchizo. Os poucos que ainda continuam activo são: mayeye, maringa e o kintueni, exibidos em cerimônias festivas, especialmente no carnaval. As danças ameaçadas de desaparecimento por falta de dançarinos são: nzoka, dibondo, matchatcha, tchikuite, matáfala e báine.

Para preservar essas danças, existem alguns projectos, principalmente voltados para o báine – uma dança praticada somente pela população da aldeia de Caiocaliado.

Em Cabinda, a dança tradicional mais praticada é o Kintueni – uma referência aos municípios de Buco Zau e Belize. É um gênero praticado no cotidiano das pessoas e também usado nas cerimônias festivas, como aniversários e casamentos e até mesmo em actos fúnebres.

Para tocar o Kintueni são usados vários instrumentos como chocalhos, bordão e violas de caixa, enquanto as dançarinas vestem-se com panos.

O Nzoka era um ritmo muito dançado no reino do Makongo, especialmente nas aldeias Siadede, Mbanda, Ncana, Caiocaliado e Nzilazambi. A dança é embalada pelo som do zimpungi, enquanto os homens descalços empunham uma espada e uma caçadeira (símbolos de poder) e competiam com as mulheres.

Outra expressão cultural de Cabinda é a exibição dos Bakama, sendo que os mascarados do Tchizo ou Ngoio só se apresentam em ocasiões especiais, como no caso do falecimento de alguma figura tradicional da província ou em visitas de autoridades, como o Presidente da República.

Os Bakama dançam rodopiando entre si, cobertos de folhas de bananeira e com os rostos cobertos com uma grande máscara. As melodias são provenientes do zimpungi e de um batuque que apenas eles sabem interpretar.

Até hoje os Bakama são vistos como uma sociedade secreta e de caráter excepcional, sendo um dos símbolos mais notáveis da cultura tradicional de Cabinda – e é impossível determinar com exatidão a origem dos Bakama.

Uíge

Nessa região, também existe uma dança bem tradicional e dramática que acompanha os rituais funerários de caçadores entre os povos da etnia bazombo. A dança inclui cenas de caça, com crânios, chifres de animais e armas.

Bengo

Na região do Bengo, a dança mais tradicional é a Kabetula – uma dança carnavalesca exibida em saracoteios rápidos seguidos de saltos acrobáticos. Os bailarinos se apresentam vestidos de camisolas, em geral brancas, ou com o tronco nu de duas Pontas (saia feita com lenços de cabeça em estilo retangular fixada por uma Ponta, cinta vermelha ou preta), com um laço amarrado na cabeça e outro no pulso e com um apito que marca a cadência rítmica do comandante.

Povos Tchokwé

Os povos Tchokwé também contam com algumas danças tradicionais, como a Txianda, Macopo e Candoa. Dessas, sem dúvida a Tchianda é uma das mais conhecidas.

A dança foi criada pelas mulheres, junto do tchela e do ulengo (outras danças comemorativas e recreativas dos povos Tchokwé) para celebrar a maturidade do filho que passa da adolescência para a fase adulta.

Na cintura, os bailarinos usam a mafunha mwia (panos enrolados) e mazombo, para facilitar que eles se desdobram em formas corporais provocantes e de movimentos circulares.

Para a cultura Tchokwé, a dança é o espelho da vida comunitária e do além, pois permite aos bailarinos dialogarem com os espíritos sobre reflexões e sentimentos.

Outras danças importantes em Angola

Os ritmos actuais de angola surgiram a partir de evoluções e misturas das danças tradicionais. 

Além das danças tradicionais, outros estilos têm se tornado importante na formação da identidade cultural do povo angolano. Esses são ritmos mais recentes e que ajudam a refletir Angola para outros países, destacando a importância da dança na formação e na valorização do povo angolano.

Rebita

É uma dança de salão que surgiu nos finais do século XIX e tem a sua origem atrelada às quadrilhas das cortes europeias do século XVIII e à umbigada do Caduque, uma antiga dança angolana. Posteriormente, a Rebita foi desenvolvida exclusivamente pela elite autóctone dos centros urbanos angolanos.

Essa é uma dança alegre e realizada em pares, todos devidamente trajados, contando com a orientação de um “mestre-sala”. Sua marcação é em dois tempos e a música usa instrumentos como o acordeão e a harmônica.

Semba

Também é uma dança de salão, só que urbana. Ela é dançada em pares, com passadas distintas dos homens, seguidas pelas mulheres em passos mais largos. Para dançar o semba é importante que os cavalheiros usem malabarismo e improvisem.

Kizomba

A palavra Kizomba significa “festa” na língua Kimbundo. Ela nasceu na década de 80, em Luanda, após grande influência musical do Zouk e também com a introdução das caixas rítmicas drum-machine.

A origem da Kizomba, contudo, ainda divide algumas pessoas, já que ela é de origem angolana, mas com toque das Antilhas e de Cabo Verde, sendo que se tornou mais popular nos anos 1990 graças ao cantor Eduardo Paim.

A principal inspiração da Kizomba é o Semba. Ela é dançada em casais, bem juntos, mas com um ritmo lento. Por isso, é menos agitada e sensual do que a semba.

Kuduro

É uma dança recreativa de exibição individual ou em grupo. Ela nasceu da fusão da música batida com estilos tipicamente africanos, criados e misturados pelos jovens angolanos.

Mesclando a dança sul-africana Xigumbaza com o Kuduro nasceu o Esquema ou Dança de Família, que é dançada em grupo com o mesmo passo várias vezes em coreografia coordenada pelos participantes.

Kazukuta

É um estilo de sapateado lento seguido de oscilações corporais, fazendo com que o bailarino ora se firme no calcanhar, ora nas pontas dos pés, apoiando-se sobre um guarda-chuva ou uma bengala. Os bailarinos usam calças listradas e casacas ornamentadas, representando alguns postos do exército e cobrem o rosto com uma máscara representando alguns animais, para melhor caricaturar o inimigo opressor.

Conclusão 

Como você viu, as danças tradicionais são extremamente importantes em Angola, de modo a firmar a cultura e a identidade dos diversos povos formadores do país. Até mesmo os ritmos mais novos contam com sua importância, especialmente ao “exportarem” o jeito de ser angolano para outros países e culturas.

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angola cultura danças tradicionais povos originarios

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